O primeiro commit no repositório do ONEWallet tem data de 8 de janeiro de 2019. Era um pequeno app Android para guardar os cartões de plástico que não cabiam na carteira. Pouco mais de dois mil commits depois, ele sincroniza com um relógio, lê cartões de fotografias e abre passes do Apple Wallet.
Aqui vai a versão honesta de como ele foi de lá até aqui — incluindo a parte em que apagamos um recurso que tínhamos acabado de lançar.
2019: um lugar para pôr os cartões
As primeiras semanas foram tão pouco glamourosas quanto você imagina. Uma tela de detalhes do cartão. Uma busca de imagens, para que os cartões não ficassem todos idênticos na lista. Edição. Ordenação. Detecção de capturas de tela. Sem IA, sem relógio, sem nuvem — só uma lista que carregava rápido e um código de barras que preenchia a tela.
Essa última parte nunca mudou, e continua sendo o motivo pelo qual a maioria das pessoas abre o app.
2024: fora do celular
A versão 2.2.9, em maio de 2024, levou o ONEWallet ao Wear OS — a primeira vez que um cartão apareceu em uma tela que não era a do celular. Em dezembro daquele ano, a 2.4.0 adicionou suporte à Samsung Galaxy Store.
2025: o app aprende a ler
A versão 2.8.0, em setembro de 2025, adicionou o reconhecimento de cartões por IA: aponte a câmera para um cartão e deixe-a extrair o número, a marca e o código. É a maior redução de digitação que o app já lançou, e ela continuou ficando mais afiada na 2.8.1 e de novo na 3.1.7.
Dois meses depois, a 3.0.0 transformou o app do relógio de uma demonstração em um companheiro de verdade, com sincronização adequada a partir do celular.
O recurso que a plataforma tomou de volta
Cinco dias depois do lançamento da 3.0.0, a versão 3.0.1 removeu a detecção automática de códigos. Essa não foi uma decisão de produto, e não foi por falta de uso.
A política de permissões do Android mudou por baixo dele. O acesso do qual o recurso dependia deixou de ser algo que um app como este podia pedir, então não sobrou nenhuma versão dele para lançar — nem uma menor, nem uma mais lenta. As notas da versão 3.0.1 mencionam que o app ficou mais rápido, e ficou. Isso foi um efeito colateral, não o motivo.
Alguns recursos não perdem uma discussão. O chão em que estavam pisando se move.
Isso rende a nota de versão menos satisfatória que existe. "A plataforma mudou de ideia" não é algo sobre o qual um usuário possa agir, e não há nada do nosso lado que o traga de volta.
2026: atrito, depois uma repintura
Este ano tem sido principalmente sobre as pequenas coisas que incomodavam em silêncio:
- 3.1.7 (fevereiro) — deslizar para excluir e arrastar para reordenar, para a lista de cartões finalmente se comportar como o seu polegar esperava.
- 3.4.2 (maio) — buscar uma localização pelo nome em vez de soltar um alfinete no mapa, além de um bloco de cartão adequado para mostradores redondos de relógio.
- 3.5.0 (julho) — o redesign completo: mais suave, mais moderno e a primeira reformulação visual completa em anos.
- 3.6.0 (julho) — um painel de recuperação de leitura, para reabrir o cartão que você acabou de escanear.
- 3.6.18 (agosto) — arquivos .pkpass abrem direto de gerenciadores de arquivos e menus de compartilhamento.
O que não mudou desde 2019
- Seus cartões vivem no seu dispositivo. Backup é algo que você liga, não algo que acontece com você.
- O ONEWallet mostra códigos; ele não paga. Sem trilhos de pagamento e sem cobranças — só uma tela para o caixa escanear.
- O código preenche a tela no brilho máximo. Todo o resto é negociável; isso não é.


